A Mad foi a primeira flor plenamente desabrochada dos geeks, uma revista que se vangloriava de não ter o menor valor, produzida pela "turma de idiotas de sempre", com as distorções e exageros habituais, chafurdando em todos os excessos tanto dos quadrinhos como do mundo falso e exaltado dos adolescentes que possibilitava a existência desses mesmos quadrinhos. A Mad era uma revista engraçada, de uma intensidade chocante, criada por jovens que enxergavam o lixo que era, mas que mesmo assim a amavam, jovens que estavam inventando algo inimaginável e profundamente inaceitável para a geração de seus pais. Não eram "humoristas", mas palhaços de uma agressividade selvagem, caótica (...) (Gerard Jones em "Homens do Amanhã", Editora Conrad, pág. 337)
Wertham, Estes Kefauver e o Macartismo levaram muitas editoras de quadrinhos à bancarrota. Uma das mais afetadas foi a criativa EC. Seus quadrinhos de terror desapareceram graças ã campanha de Wertham e Kefauver. A única a sobreviver foi a humorística Mad. Esta, porém, sofreu deveras com o policiamento dos macartistas. Edgar Hoover e o FBI receberam dezenas de cartas e documentos tentando provar que a revista era comunista ou subversiva, como era tudo aquilo que não correspondia ao "american way of life".
Agora muitos desses arquivos estão à disposição na internet pelo site Collect Mad. Estão lá as cartas recebidas pelo FBI, as páginas da Mad referentes às acusações e as respostas do Bureau.
Entre elas a carta recebida em 21 de maio de 1965, que acusa uma das famosas dobraduras de Al Jaffee (Mad 96) de depreciar e difamar os compatriotas, e isto pouco antes das comemorações de 4 de Julho.
A carta (clique na imagem para ampliar)
As dobraduras (clique nas imagens para ampliar)
E o cartaz que violava o código da bandeira dos EUA. A polícia estadunidense foi à justiça para impedir que a revista fosse distribuída.
Clique na imagem para ampliar.
Sorte a nossa, a Mad sobreviveu e continua a mesma merda até hoje.






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